Acidentes, bruxismo e até alimentos mais duros podem provocar trincas e fraturas nos dentes. Especialista explica por que agir rapidamente pode evitar a perda dentária e quais são as alternativas antes de recorrer a um implante.

Uma pipoca no cinema, um torresmo no almoço ou até um hábito aparentemente inofensivo, como apertar os dentes durante o sono. Situações comuns do dia a dia podem provocar trincas e fraturas dentárias que, quando ignoradas, colocam em risco a saúde bucal e podem levar até à perda do dente.

O problema é que muitas pessoas acreditam que um dente quebrado significa, automaticamente, extração e implante. Segundo especialistas, essa ideia está longe da realidade.

“A primeira pergunta que ouvimos de muitos pacientes é: ‘Vou precisar arrancar o dente?’. Felizmente, em boa parte dos casos, a resposta é não. Quanto mais cedo a fratura é diagnosticada, maiores são as chances de preservar o dente natural”, explica o cirurgião-dentista Dr. Alexandre Parreira, especialista em Periodontia, Implantodontia e Odontologia do Trabalho, responsável técnico pelo Instituto Novus Odontologia Moderna e habilitado pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO) para a utilização da sedação consciente inalatória.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças bucais afetam aproximadamente 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo. Embora nem todas estejam relacionadas às fraturas dentárias, especialistas alertam que o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da dentição fazem com que esse tipo de ocorrência seja cada vez mais frequente.

Além de acidentes, um dos principais responsáveis pelas trincas é o bruxismo.

Caracterizado pelo apertamento ou ranger dos dentes, principalmente durante o sono, o problema provoca um excesso de carga sobre a estrutura dentária, favorecendo pequenas fissuras que podem evoluir silenciosamente ao longo dos anos.

“Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo que nunca sentiram dor. Quando fazemos o exame clínico, encontramos pequenas trincas causadas pelo bruxismo ou por sobrecarga na mastigação. Se tratadas precocemente, conseguimos preservar o dente. Quando o problema evolui, a situação se torna muito mais complexa”, afirma o especialista.

Nem toda fratura é igual

As fraturas dentárias podem variar desde pequenas lascas superficiais até fissuras profundas que atingem a raiz do dente.

Dependendo da extensão da lesão, o tratamento pode envolver apenas um polimento, restauração em resina, colocação de uma coroa ou tratamento de canal.

“O implante não deve ser visto como a primeira alternativa. Sempre que existe possibilidade de preservar o dente natural, essa será nossa prioridade. O dente natural continua sendo a melhor solução para o paciente”, destaca o Dr. Alexandre.

O tempo faz diferença

Assim como acontece em diversas doenças, o tempo também influencia diretamente o sucesso do tratamento.

Uma pequena trinca pode permitir a entrada de bactérias, causando inflamações, infecções e comprometendo estruturas mais profundas do dente.

Além disso, continuar mastigando normalmente sobre um dente fraturado aumenta o risco de que a fissura se amplie.

“A recomendação é procurar um cirurgião-dentista assim que perceber qualquer alteração, como dor ao mastigar, sensibilidade repentina ou a sensação de que o dente ‘rachou’. Quanto antes avaliarmos, maiores são as possibilidades de preservação.”

Um diagnóstico mudou completamente o tratamento

Foi exatamente isso que aconteceu com um paciente atendido no Instituto Novus.

Ele chegou à clínica convencido de que precisaria extrair um molar após sentir uma forte dor durante uma refeição. Depois dos exames clínicos e de imagem, a equipe identificou que a fratura não comprometia toda a estrutura do dente.

Em vez da extração, foi possível realizar o tratamento de canal, reconstruir o dente e devolver sua função com uma coroa, preservando a estrutura natural.

“Quando explicamos que seria possível salvar o dente, ele ficou surpreso. Muitas pessoas acreditam que uma fratura significa perda definitiva, mas isso nem sempre acontece. O diagnóstico correto faz toda a diferença”, relata Dr. Alexandre.

Quando o implante é realmente necessário?

Existem situações em que a fratura é tão extensa que não há possibilidade de recuperação.

Nesses casos, o implante dentário continua sendo uma excelente alternativa para devolver função mastigatória, estética e qualidade de vida.

Mas essa decisão só deve ser tomada após uma avaliação criteriosa.

“O implante é um tratamento extremamente seguro e previsível quando bem indicado. Mas ele não substitui a importância de preservar um dente natural sempre que isso for possível. Nossa missão é escolher o tratamento que ofereça o melhor resultado para aquele paciente, e não simplesmente substituir um dente”, explica.

Prevenção continua sendo o melhor caminho

Grande parte das fraturas poderia ser evitada com consultas periódicas, diagnóstico precoce e tratamento de fatores de risco, como o bruxismo.

O uso de placas de proteção para dormir, por exemplo, reduz significativamente o desgaste provocado pelo apertamento dos dentes.

Além disso, evitar utilizar os dentes para abrir embalagens ou morder objetos rígidos também ajuda a preservar a estrutura dentária.

“A odontologia moderna nos oferece excelentes recursos para recuperar um sorriso. Mas, sempre que conseguimos preservar um dente natural, esse continuará sendo o melhor tratamento”, conclui Dr. Alexandre.

BOX

Sinais de que um dente pode estar trincado

Dor ao mastigar determinados alimentos.

Sensibilidade ao frio ou ao quente.

Pequenas linhas visíveis no esmalte.

Sensação de pressão ao morder.

Desconforto intermitente sem causa aparente.

Pequenos lascamentos nas bordas do dente.

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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