Com queda na produção nacional e maior dependência de importações, instrumentos analíticos, automação e agricultura de precisão ganham protagonismo para reduzir perdas, elevar eficiência e fortalecer a competitividade da cadeia
A tendência de alta no preço do pão francês, pressionada pela queda na produção brasileira de trigo e pelo encarecimento da farinha, reacende um alerta para toda a cadeia do cereal no país. Até o final de 2026, a safra de trigo do Brasil deve encolher 19%, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgada na última quinta-feira (14/5). O órgão calcula uma produção de 6,3 milhões de toneladas. A queda é atribuída, principalmente, à redução de 12,5% na área plantada do cereal. Ao mesmo tempo, o consumo interno permanece entre 12 e 13 milhões de toneladas, ampliando a dependência de importações que deve ficar ao redor de 7 milhões de toneladas, o maior volume desde 2013.
Nesse cenário de menor oferta interna, custos mais voláteis e maior exposição ao mercado internacional, especialistas apontam que o uso estratégico de tecnologia, dados e análises de precisão será decisivo para ampliar a eficiência produtiva e reduzir os impactos sobre moinhos, indústrias e consumidores, pois o desequilíbrio entre produção e consumo pressiona a cadeia em diferentes etapas. Para o consumidor, o impacto aparece no preço de produtos derivados da farinha, como pão francês, massas e biscoitos. Para produtores, moinhos e indústrias, o desafio está em lidar com margens comprimidas, custos imprevisíveis, oscilação cambial e maior dependência de fornecedores externos.
“Essa volatilidade afeta toda a cadeia. Produtores enfrentam margens comprimidas, indústrias de moagem lidam com custos imprevisíveis e moinhos recorrem a contratos futuros para mitigar riscos. A dependência de importações expõe o Brasil às oscilações cambiais e às políticas comerciais de países vizinhos, como a Argentina”, afirma o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Corecon-SP.
Segundo ele, a elevada demanda brasileira por pães e produtos derivados de farinha exige um reajuste produtivo voltado à redução de custos, ao aumento da eficiência e à modernização da cadeia. “O setor precisa responder a uma demanda persistente por farináceos com mais produtividade, controle e capacidade de adaptação”, avalia.
Nesse contexto, a automação da análise de qualidade por meio de sensores inteligentes e instrumentação analítica de ponta no laboratório deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ocupar papel estratégico na operação industrial. A agricultura e a indústria de precisão permitem que decisões sejam tomadas com base em evidências, e não em tentativa e erro, contribuindo para reduzir desperdícios, padronizar processos e antecipar riscos.
Soluções como Mixolab, SpectraStar XT-F, AgriCheck e Rheo F4, fornecidas ao setor por empresas como a Pensalab, têm apoiado produtores, moinhos e indústrias na análise contínua da qualidade do trigo, da farinha e da massa final. Esses equipamentos permitem monitorar parâmetros como teor de umidade, estabilidade da massa, propriedades reológicas, composição química e atividade enzimática.
Na prática, esses dados ajudam a prever o comportamento da matéria-prima, ajustar formulações, reduzir retrabalho, perdas e assegurar maior consistência entre lotes, fatores especialmente relevantes em momentos de oscilação de oferta e preço.
Para Rafael Soares, diretor de produto e mercado da Pensalab, a adoção de instrumentos analíticos avançados permite um controle mais rigoroso das etapas de moagem, formulação e panificação.
“Mais do que medir qualidade, essas tecnologias ajudam a antecipar desvios, permitindo ações preventivas e menor impacto operacional. Em um mercado pressionado por custos, câmbio e oferta limitada de trigo, a capacidade de tomar decisões rápidas e precisas passa a ser determinante para preservar margens e garantir regularidade ao consumidor”, afirma.
Segundo Soares, a automação e a inteligência de dados também contribuem para o uso mais eficiente de insumos, o atendimento a normas regulatórias e a melhoria da sustentabilidade operacional. “Quando a indústria conhece com precisão as características do grão, da farinha e da massa, ela consegue ajustar processos, evitar perdas e entregar um produto mais padronizado. Isso fortalece toda a cadeia”, explica.
A combinação entre queda da produção nacional, necessidade de importação e instabilidade nos preços internacionais torna o setor de trigo mais sensível a fatores externos. Apesar da recente valorização do real, custos logísticos, condições climáticas e políticas comerciais de países fornecedores podem afetar rapidamente o preço da matéria-prima e, em consequência, os produtos finais.
Por isso, especialistas defendem que a resposta da cadeia não deve se limitar à recomposição de estoques ou ao repasse de preços. O avanço tecnológico pode ajudar o setor a construir uma base produtiva mais resiliente, com maior previsibilidade e menor vulnerabilidade a choques externos.
“A indústria brasileira de trigo pode transformar um cenário de retração em um ciclo de reconstrução, baseado em controle, produtividade e autonomia”, afirma Soares. “O caminho passa por medir melhor, interpretar melhor e agir antecipadamente.”
Apesar dos ganhos potenciais, a adoção de tecnologias baseadas em dados, inteligência artificial e automação exige investimento. Para Rockenmeyer, o aporte de capital será essencial para acelerar a transformação tecnológica e permitir que o setor responda à demanda interna com mais eficiência.
“Além das fontes tradicionais de financiamento, o setor deve buscar oportunidades de captação de recursos de médio e longo prazo no mercado de capitais e em fundos de investimento. Essa prática representa uma tendência crescente no agronegócio. As oportunidades são claras, diante da forte demanda por produtos derivados de farinha”, ressalta.
Em um cenário de juros elevados, a diversificação das fontes de financiamento ganha ainda mais importância. Segundo o economista, a modernização tecnológica é crucial não apenas para a competitividade, mas também para a sustentabilidade ambiental e a adaptação do setor agropecuário aos desafios climáticos contemporâneos.
Sobre a Pensalab
A Pensalab atua com soluções tecnológicas e instrumentos analíticos voltados ao controle de qualidade, produtividade e precisão em diferentes cadeias industriais, incluindo o setor de trigo, farinhas e panificação. Por meio de equipamentos de análise, automação e inteligência de dados, a empresa apoia indústrias e laboratórios na tomada de decisões mais rápidas, seguras e baseadas em evidências.
(Crédito: pvproductions/magnific)
