Produtor de carreiras defende que novos nomes da música não podem virar reféns dos virais de 15 segundos nem do alcance pago das plataformas

Construir uma carreira duradoura na música exige mais do que emplacar um trecho viral nas redes sociais. Esse é o alerta do produtor e consultor de carreiras HElio Cosmo para a nova geração de músicos que tenta se firmar em um mercado dominado por métricas.

Com mais de 50 anos de experiência na indústria fonográfica e passagens por grandes gravadoras, HElio hoje dedica parte do seu trabalho à mentoria artística, acumulando mais de 1,5 milhão de visualizações em seus conteúdos nas redes.

Segundo o especialista, a obsessão pelo alcance imediato tem levado jovens talentos a perderem a identidade antes mesmo de consolidarem um repertório. “Temos um volume grande de sucessos inflacionados. O impulsionamento pago e os algoritmos geram um volume alto de execuções, o público absorve aquilo por repetição, mas isso não significa que o artista construiu uma base sólida de fãs.”
HElio aponta que a tentativa de adaptar a criação ao gosto dos algoritmos gera um efeito de massa que prejudica a autenticidade do trabalho.

“Muitos começam a compor pensando apenas em qual pedaço da música vai funcionar no TikTok. O refrão precisa entrar em três segundos para não perder o ouvinte. Quando o artista cria focado apenas em agradar a plataforma, ele abre mão da arte e da própria voz”, avalia.

Para o produtor, as ferramentas digitais e os dados de audiência devem servir para apoiar a gestão do trabalho, e não para ditar a essência do que é produzido. “Preservar a liberdade artística é o único caminho para que a obra dure além da temporada de um viral. Métrica ajuda a entender o público, mas quem precisa guiar a criação é o artista”, conclui.

(Crédito: Divulgação)

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