Enquanto Câmara aprova criação de cadastro nacional, Dra. Conceição Barbosa alerta para a carência de centros de referência e suporte especializado para talentos precoces no Amazonas

Enquanto o Congresso Nacional avança com a criação de um Cadastro Nacional de Estudantes com Altas Habilidades, a realidade nas pontas — dentro das salas de aula — ainda é de desconhecimento. A neurocientista e neuropsicóloga, Conceição Barbosa, diretora do Instituto de Neuropsicologia do Amazonas (Inepam), faz um alerta sobre como a falta de políticas públicas efetivas está “desperdiçando” mentes brilhantes no Amazonas.

A especialista explica que identificar a superdotação é um processo complexo e, muitas vezes, caro. “Para se fazer um diagnóstico de superdotação e altas habilidades, é um serviço caro. No entanto, o custo social de não diagnosticar é muito maior. Essas crianças sofrem”, pontua Barbosa. Ela cita casos de crianças de apenas 2 anos que já leem e falam inglês fluentemente, mas que, se não forem estimuladas corretamente, podem desenvolver agressividade ou depressão por não encontrarem eco em seus pares.

Um dos pontos mais críticos abordados por Conceição Barbosa foi a frustração enfrentada por jovens prodígios, citando o caso do amazonense Luan, que passou na universidade precocemente, mas enfrentou barreiras legais para cursar. “A legislação brasileira ainda é muito arcaica para essa demanda. Não existe uma política pública que vá lutar por esses adolescentes”, lamenta a neuropsicóloga.

Nova Política Nacional

O projeto aprovado na Câmara (PL 1049/26) busca justamente sanar esse hiato, propondo uma triagem anual pedagógica e a criação de Centros de Referência. Para a Dra. Conceição, essa estrutura é o que falta para que o Brasil pare de “perder talentos para outros países”, como reforçou a deputada Soraya Santos, autora do projeto.

“Falta gestão nessa demanda. A escola identifica as crianças e chama a atenção da família, mas será que os professores estão preparados? Eles estão em uma sala de aula que virou um laboratório, onde precisam dar conta dos diagnosticados e dos não diagnosticados”, disse.

Para a neurocientista, a solução passa por uma mudança de paradigma: “Meu maior sonho é transformar as pessoas e colocá-las em funcionalidade. Precisamos entender e respeitar o que é saúde mental e saúde cerebral”, pontuou Conceição Barbosa.

Share.