Especialista explica quando a condição deixa de ser fisiológica, quais os riscos da falta de tratamento e como a tecnologia tornou a cirurgia mais segura, confortável e com melhores resultados estéticos.

A fimose é uma das condições urológicas mais frequentes entre meninos e também pode acometer adolescentes e adultos. Caracterizada pela dificuldade ou impossibilidade de retração do prepúcio — a pele que recobre a glande do pênis —, ela faz parte do desenvolvimento natural da maioria dos recém-nascidos. No entanto, quando persiste além do esperado ou provoca sintomas, pode comprometer a higiene íntima, causar infecções recorrentes, dor e prejuízos à qualidade de vida, tornando fundamental a avaliação de um urologista.

Dados clínicos mostram que aproximadamente 96% dos meninos nascem com o prepúcio ainda aderido à glande, condição conhecida como fimose fisiológica. Ao longo do crescimento, esse quadro costuma evoluir espontaneamente: por volta dos três anos, cerca de metade das crianças já consegue retrair o prepúcio, enquanto, aos 16 anos, aproximadamente 99% apresentam retração completa. Quando essa evolução natural não acontece ou surgem cicatrizes decorrentes de inflamações e infecções repetidas, a condição passa a ser considerada patológica e pode necessitar de tratamento.

De acordo com o urologista Dr. Wagner Kono, a informação é a principal aliada no manejo da doença. “A fimose não deve ser encarada com medo, mas com informação. Em crianças, frequentemente observamos resolução espontânea ou boa resposta ao tratamento clínico com pomadas à base de corticoides e exercícios delicados de retração orientados pelo médico. Já nos adultos, a condição costuma provocar mais sintomas e, em muitos casos, exige uma abordagem cirúrgica.”

Os sintomas variam conforme a idade e o grau da fimose. Em crianças, podem surgir dificuldade para urinar, inflamações do prepúcio e da glande (balanite), infecções urinárias e desconforto durante a higiene. Na adolescência e na vida adulta, é comum haver dor durante as relações sexuais, dificuldade para expor a glande, dificuldade na limpeza da região íntima e episódios recorrentes de inflamação. Embora a incidência da fimose persistente seja relativamente baixa em homens adultos sem outras doenças associadas, ela ainda acomete uma parcela da população não circuncidada e merece atenção especializada.

O tratamento é definido de forma individualizada. Em muitos casos infantis, apenas o acompanhamento médico e orientações adequadas de higiene são suficientes. Quando necessário, pomadas com corticoides e exercícios específicos podem aumentar significativamente a elasticidade do prepúcio e evitar procedimentos cirúrgicos. Entretanto, quando essas medidas não apresentam resultados ou quando existem infecções frequentes, cicatrizes importantes ou limitação funcional, a postectomia — cirurgia para retirada do prepúcio — torna-se a alternativa mais indicada.
Nos últimos anos, a evolução tecnológica transformou significativamente esse procedimento, tornando-o menos invasivo, mais preciso e proporcionando uma recuperação muito mais confortável ao paciente. Atualmente, a cirurgia pode ser realizada com dispositivos de grampeamento automático, popularmente conhecidos como “pistolas”, além da utilização do laser de CO₂, recursos que oferecem maior precisão cirúrgica e melhores resultados quando comparados às técnicas convencionais.

Segundo Dr. Wagner Kono, a qualidade da tecnologia utilizada e a experiência do cirurgião exercem papel decisivo no sucesso da cirurgia. “Quando utilizamos dispositivos de alta qualidade, conseguimos reduzir significativamente o sangramento durante o procedimento, provocar menor agressão aos tecidos, proporcionar menos dor no pós-operatório e acelerar a recuperação. Além disso, o resultado estético costuma ser muito superior, com uma cicatriz mais discreta e uniforme.”

Outra inovação importante é o emprego do laser de CO₂, especialmente indicado em casos mais complexos, como pacientes com balanite crônica, inflamações recorrentes ou cicatrizes extensas. “O laser permite uma remoção muito mais delicada dos tecidos comprometidos, preservando melhor as estruturas saudáveis. Isso favorece uma cicatrização de melhor qualidade, reduz o edema, proporciona excelente controle do sangramento e oferece resultados funcionais e estéticos bastante satisfatórios”, explica o especialista.
Apesar dos avanços tecnológicos, a indicação da melhor técnica continua sendo individualizada. A idade do paciente, o grau da fimose, a presença de inflamações, cicatrizes e outras condições associadas são fatores fundamentais na escolha do tratamento. Por isso, a avaliação com um urologista é indispensável para estabelecer o diagnóstico correto e definir a conduta mais adequada.

A orientação médica precoce permite tratar a fimose de forma segura e eficaz, evitando complicações e proporcionando mais conforto, qualidade de vida e bem-estar em todas as fases da vida. Atualmente, graças à combinação entre diagnóstico especializado e tecnologia cirúrgica de última geração, os pacientes contam com procedimentos cada vez mais seguros, menos traumáticos e com excelentes resultados funcionais e estéticos.

Serviço
Fimose: da infância à vida adulta – um problema comum que merece atenção médica
Médico urologista Dr. Wagner Kono
Instagram: @wagnerurologista

(Foto: Divulgação)

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