(Carnaval: se a folia costuma trazer mais agito para as ruas, não seria diferente nos condomínios. Crédito: Freepik)

Reclamações são segunda maior motivação para chamados ao síndico, de acordo com o Censo Condominial 2025/26. Situação exige rapidez, equilíbrio e comunicação

Se a folia costuma trazer mais cor e agito para a cidade, mesmo com o fim do carnaval, não seria diferente nos condomínios. Mas na hora do convívio, isso pode se tornar um problema. O aumento da circulação de pessoas, a realização de festas e o uso intensivo de áreas comuns elevam a frequência de conflitos entre moradores e colocam os síndicos no centro de tensões. Ao ser acionado nesses momentos, o síndico precisa ser rápido, equilibrado e ter boa capacidade de mediação.

“O carnaval evidencia tudo aquilo que já é sensível na convivência condominial: barulho, visitantes, disputa por espaços, modo de descarte de lixo e pequenas quebras de regra”, aponta Marcus Nobre, CEO da uCondo, startup de tecnologias para gestão condominial. “O problema é a velocidade com que o conflito se agrava quando não há uma resposta imediata e empática, ainda mais quando há álcool envolvido”, alerta.

Os números do Censo Condominial 2025/26 ajudam a dimensionar o tamanho desse desafio. Em 2025, os 6 mil condomínios que utilizam a plataforma da uCondo, reunindo mais de 560 mil usuários, registraram mais de 308 mil chamados ao síndico. Reclamações são a segunda maior motivação, com 27,9% dos chamados, perdendo apenas para solicitações administrativas, com 30,1%. Depois se seguem manutenção de áreas comuns (27,4%), dúvidas (8,86%), sugestões (4,37%) e outras (1,26%).

Para o síndico, o desafio é lidar com essas demandas sem deixar que episódios se transformem em verdadeiras crises. “Quando o morador sente que não é ouvido ou que a resposta é demorada, a tendência é endurecer o tom. Por isso, quem está na gestão precisa ter um protocolo de resposta, nem que seja ‘estou averiguando e retorno em breve’, para que o morador fique menos ansioso”, diz Marcus Nobre.

A experiência prática mostra que comunicação preventiva com regras claras reduzem significativamente o volume de atritos. Informar com antecedência os horários de silêncio, organizar a reserva de áreas comuns, reforçar procedimentos para entrada de visitantes e orientar sobre descarte de lixo são medidas básicas, mas decisivas. Ainda assim, nem sempre há tempo ou recursos humanos para atender cada mensagem individualmente, sobretudo em feriados prolongados.

É nesse contexto que a inteligência artificial está ganhando espaço na gestão condominial. A Móra, assistente de IA da uCondo, foi desenvolvida para atuar como uma mediadora digital dentro dos condomínios. Ela interpreta as mensagens enviadas pelos moradores, identifica o tom das conversas e sugere respostas adequadas, ajudando o síndico a agilizar o atendimento e manter uma comunicação mais empática e eficiente; reduzindo, então, os conflitos.

Em 2025, mais de 6,6 mil pessoas utilizaram a Móra para resolução de problemas, totalizando mais de 32,5 mil mensagens trocadas com a IA. O Sudeste lidera o uso, com 3.987 usuários, seguido pelo Sul (1.070) e pelo Nordeste (902). Centro-Oeste (439) e Norte (238) completam o mapa da transformação digital nos condomínios brasileiros.

Marcus lembra, no entanto, da importância da revisão humana antes do envio de mensagens criadas por uma IA, especialmente antes de ações punitivas ou comunicados formais. Além disso, as mensagens precisam estar alinhadas à convenção e ao regimento interno do condomínio, por isso o primeiro passo ao instalar a Móra é alimentá-la com esses documentos. “Quando bem implementada, a automação funciona como um primeiro nível de triagem e sugestões ótimas, com o síndico entrando depois para lidar pessoalmente com cada caso”, ressalta o especialista.

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